Sobretaxa de Trump ao aço e alumínio irrita mercados mundiais e reforça lado “Bad Boy” de presidente
O Brasil será duramente afetado pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar a importação de aço e alumínio, que será de 25% e 10%, respectivamente. A sobretaxa de Trump foi anunciada na semana passada (1º de março). A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é que a medida de Donald […]
O Brasil será duramente afetado pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar a importação de aço e alumínio, que será de 25% e 10%, respectivamente. A sobretaxa de Trump foi anunciada na semana passada (1º de março).
A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é que a medida de Donald Trump cause um prejuízo de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 9,8 bilhões) nas exportações do Brasil de aço e de aproximadamente US$ 144 milhões (cerca de R$ 470 milhões) nas exportações de alumínio.
O Brasil é o segundo maior exportador de aço para o mercado norte-americano, atrás apenas do Canadá.
Sobretaxa de Trump gera instabilidade
Mais do que a perda registrada pela indústria brasileira, a decisão de Trump reforça a postura de um líder avesso aos acordos internacionais. Além do impacto direto no setor, a medida revela serve para deixar cada vez aceso o sinal dos demais setores que têm os Estados Unidos como principal mercado para seus produtos.
Desde que assumiu seu mandado, seja na política interna ou na política externa, Trump vem colecionando decisões polêmicas, muitas vezes avessa a qualquer entendimento ou acordo prévio. O que para o setor produtivo é motivo de desconfiança, em função da perigosa instabilidade que tais medidas geram.

Medida gera descontentamento mundial
A resposta à sobretaxa de Trump foi imediata. Líderes de vários países e entidades mundiais reagiram à decisão do governo dos Estados Unidos criticando a postura. “Não vamos ficar sentados e ver nossa indústria ser afetada por essa medida”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
AUnião Europeia anunciou ainda que vai dar uma resposta “firme” à decisão de Trump e que também irá estabelecer uma sobretaxa de 25% sobre cerca de 3,5 bilhões de euros em negociações com o mercado norte-americano. A medida incluiria além das exportações agrícolas, marcas de dimensões mundiais dos Estados Unidos.
Cecilia Malmstrom, comissária de Comércio da Europa, confirmou que Bruxelas está “discutindo diferentes medidas” contra produtos americanos. “Estamos olhando para tudo, desde levar o caso à OMC (Organização Mundial de Saúde), sozinhos, com parceiros, mas também medidas de salvaguarda ou possíveis retaliações”, disse.
Até mesmo o governo russo, que tem demonstrado fortes laços com Donald Trump, mesmo no período das eleições presidenciais, se declarou desfavorável à sobretaxa de Trump. Num raro comunicado de apoio à Europa, o Kremlin indicou que partilha das preocupações dos governos europeus. “Vamos analisar nossa relação comercial com Washington””, disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.
Outro que deixou clara sua irritação com Trump foi o Canadá, principal exportar de aço para os Estados Unidos. “Essa tarifa será inaceitável”, disse o ministro de Comércio do Canadá, François-Philippe Champagne.
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